segunda-feira, 29 de dezembro de 2008



Solidão

“Solidão não é a falta de gente
para conversar,
namorar,
passear ou fazer sexo…
Isto é carência!

Solidão não é o sentimento
que experimentamos pela ausência
de entes queridos que não podem mais voltar…
Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário
que a gente se impõe, às vezes,
para realinhar os pensamentos…
Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário
que o destino nos impõe compulsoriamente…
Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…
Isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto…
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos
e procuramos em vão pela nossa alma”.

(autor desconhecido)
Imagem: http://2.bp.blogspot.com/

terça-feira, 23 de dezembro de 2008


TEMPO COMEDIDO

Não gosto de relógio,
Já me causou tormentas...
Abrevia o tempo que tenho,
E diminui todas as horas
Que podes comigo ficar!
Horas, minutos e segundos que passam...
Sempre têm pressa de passar!

Não gosto das rosas,
Das vermelhas, revelam minha paixão.
As amarelas, ciúmes dentro do meu coração...
Quando lançadas pra te dar,
Murcham sozinhas na minha solidão!
Rosas vermelhas, amarela... Pra quê te dar?
Se já dei tudo em confissão!

Não gosto de gostar,
Sempre dói no meu peito...
Sem remédio que dê efeito pra curar,
Fico sentindo saudades suas,
Quando foge, do meu óbvio jeito de sonhar!
Não vês que não quero te perder,
Não quero horas, nem flores pra te dar.

Não gosto...
... Não gosto de relógio!
... Não gosto das rosas!
... Não gosto de gostar!
Gosto só de você,
De você, quero gostar!

(Guerra Sarapião 23dez/2008)

domingo, 21 de dezembro de 2008




Destarte em despedida

Da última missiva que te mandei
Roguei tua resposta e não tive por então,
Após tempo contado, uma idade de Cristo
Recebi tua fidalga pessoa em visitação!

Num terno longo, delicado abraço,
Que pude declarar-te em termos,
Do que em difusos segredos ficou
Do amor inalterável, adormecido!

Veio ouvir e receber em verbos,
Sentir por certo meu amor ditoso
Experimentar as batidas fortes do teu coração!
Num abraço prolixo e caprichoso

Fez-se de luz, resplandeceu vidas,
No calor da nossa sublime paixão.
Tua mais nobre virtude em pessoa,
Destarte em despedida, beijos em aceitação!

Num olhar meigo em confabulação,
Na tolerância das longas datas em separação
Por antes, tu fostes sem despedidas, sem escritos...
Voltando do imprevisível sem anunciação!

Por agora, na despedida...
Foste alusiva... Um beijo na face então!
Olhares de amor franco e virtuoso
Numa próspera e possível anunciação!

Autor: Wares Negro

TEUS OLHOS

Teus olhos tão risonhos
São desejos, são delírios,
Em forma de sonhos

Teus olhos tão singelos
De todos são os menos tristes
Do mundo são os mais belos

Teus olhos dormem nos meus,
Sempre que tu sonhares
Sonharei os sonhos teus

Teus olhos são o que são
Porque refletem nos meus
O amor que há em teu coração

Autor: R.Silveira

domingo, 14 de dezembro de 2008

História de um coração



Naquele transparente e deslumbrante dia,
Na aula de anatomia
Sobre a pedra glacial, como um fardo qualquer
Desnudo, havia um corpo esbelto de mulher!
Encontraram-no além da via férrea, e ao lado
Daquele corpo moço, o crânio desformado
De onde deduzia ter sido certamente
Essa infeliz mulher, vítima de um acidente
Impossível tornou-se a edificação.
Esperaram, ninguém o reclamou! E então
Mandaram-no, depois deste trágico dia,
Como um presente régio a douta academia
....................................................................
Quando Guilherme entrou ao vê-lo disse rindo
Que corpo escultural! Que corpo esbelto e lindo
Que pernas! Como são bem feitas – Sem rodeias
Olha com volúpias aqueles rígidos seios!
Rapazes! Venham, venham ver a estátua magistral
De uma Vênus de Milo um tanto original!
E por mais singular que o fato vos pareça!
Esta tem braços sim,
Mas falta-lhe a cabeça
Que pena um corpo assim ser destruído “Vala”!
Em breve uma algazarra invadiu toda a sala...
Todos queriam ver este corpo perfeito
Sem reverencia alguma e sem respeito
Fazendo contratar nessa algazarra forte!
A alegria da vida a tristeza da morte!
- Aí vem o professor... silêncio! Nesse instante
Fisionomia, austera o mestre entrou e, adiante
Deteve a escolher instrumentos vários
Os que para cortar era mais necessários
E rodeado afinal, por toda estudantada,
O austero professor disse com voz pausada
- Vamos hoje estudar o coração... falou
E o escapelo afiado e orgulho mergulhou.
No colo de alabastros...esgarçaram-se os tecidos
E todos, um por um, os ossos são partidos
Abre-se o nivio peito, e os seios emurchassem
Nessa prolanação de lances tão brutais
Uma borda bestial, de feras canibais!
Por fim, do professor as grandes mãos estranhas,
Saudaram com volúpia o fundo das entranhas
Arrancando de lá com muita precaução
Inda rubro de sangue o pobre coração!
Nas mãos do velho sábio, ei-lo agora oscilando,
E, todos com prazer deve-se escaminhando-o!
-“Corte-o Guilherme!” Ordena. O estudante sorriu
Empenhado na dexta o agudo bisturi
Que aquele coração em breve irá cortar!
Mas tem de ser assim... É preciso estudar.
Porém! Tremem-lhe as mãos, os nervos não reagem!
Que coisa! Pois não é que lhe falta coragem?
De abrir o coração desta desconhecida,
Como si nele houvesse o palpitar de vida?
Insiste novamente! Espedaça-lo vai!
De súbito porém, o bisturi lhe cai
- “Então? Que tem? Pergunta o professor surpreso
Olha o pobre rapaz, que cheio de emoção,
Resolve não cortar aquele coração!
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E a tarde ao regressar, à casa pensativo,
Sem poder atinar, sequer porquê motivo
Vê-lhe por um jornal em esgares de megera
Uma horrível notícia! Aquele corpo era,
O corpo virginal de sua noiva ausente.

Por: Nelson Araújo Lima
Compilado por (Daisy Afonso)