quinta-feira, 22 de janeiro de 2009


Cumplicidade

Mandei escrever com fogo...
Pra nunca mais o escrito apagar,
Seu nome autêntico, por sobre
O grotesco singelo também o meu!

Assim não se confunde no tempo,
Quem foi o primeiro de nós a chegar,
Na hora de seu vir ao mundo!
Pois fui eu, o anjo pra tudo arrumar.

Foram rosas e roseiras colossais,
Lá fora, no seu jardim fiz plantar,
Todas vistosas pra hora que você,
Assim crescesse, pudesse da janela admirar

Por certo, nem mesmo ao longe pudesse,
Com seus encantos de anjo soubesse
Que fiz tudo com esmero e prazer
Para os seus olhos verdes apreciar.

Da rua quem olhasse, mesmo desatento
Poderia perceber as mais lindas delas
Colhidas bem frescas, num enfeite,
Seu aconchego em cores perfumar!

E o tempo foi passando tão manso...
Carregado por você, todo meu sentimento.
De ser o único que as honras pudesse ter,
Toda arte de saber, realmente te adorar.

Mandei escrever, assim pra não confundir...
Quem foi o primeiro de nós, aqui chegar!
Agora, se eu for primeiro... no vencer do tempo,
Colha rosas, que deixadas serão pra lembrar!

E o tempo cuidará... De quantos puderem!
D'utros amores, das janelas admirar.
Assim não se confunde cores e perfumes,
Menina dos lábios suaves como véu!

De olhares verdes, talvez...
Azuis assim da cor do céu!
Lá de cima estarei... como estrela cintilante.
Em todos os tons, te fazendo encantar.

(Guerra Sarapião)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009


"CHAMEGO"

Menina de cabelinhos cacheados,
Vamos andando bem devagar,
O sol já vai despontando tranqüilo.
Vem menina quero te levar!

Vamos sem pressa pra chegar,
Quando me vejo nos teus olhos.
Vamos minha linda, pela noite afora.
No aconchego do caprichoso balançar!

Cedo, me foi pela manhã,
Quando acordei pra te namorar
No galanteio dos meus abraços
Venha serena menina... Quero te dar!

Quando eu, menino traquino em namoro,
Mandei flores pra te encantar,
Com vara de marmelo verde,
Menina teu pai queria te surrar!

Agora vamos... Andando devagar.
Quando me vejo no airoso do teu jeito
Venha serena menina, quero te dar.
Teu chamego, que bom tê-lo ao acordar!

Cedo foi minha pressa,
Verde, foi o marmelo que já morreu.
Sorte foi a minha, em ter-me por inteiro,
No namoro que já era seu e meu!


(Wares Neggro)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009



A DISTÂNCIA

Perdoa-me...
Se tenho-te nos meus desejos
Perdoa se tu faz parte nos meus sonhos
Se te encontro nos meus ensejos!

Se tenho todo empenho,
Se te levo pra onde vou estar.
Se nos lábios d’outra madona
Percebo-te a me beijar!

Perdoa-me...
Se às vezes não entendo
Sem uma justa razão maior,
A distância que separa você de mim!

Se a fraqueza da minha alma
Não consegue conter minhas lágrimas
Quando te chamo e tu não vens...
Perdoa-me, mesmo sem perdoar!

Se te faço dantes,
Proeminente, amada para sempre.
Parte da minha progênietude,
Quando esvoaça conciso, o tempo!

Perdoa-me...
Ás vezes que não consegui te entender,
Não guarde tantas mágoas assim,
Daquilo que eu te disse sem querer!

Previno-te...
Que nunca te esquecerei,
Tão pouco deixarei de te amar.
Por esta razão, beijo-te em silêncio,
Todas as minhas manhãs, da minha vida!

Perdoa-me...

(Guerra Sarapião)