segunda-feira, 29 de dezembro de 2008



Solidão

“Solidão não é a falta de gente
para conversar,
namorar,
passear ou fazer sexo…
Isto é carência!

Solidão não é o sentimento
que experimentamos pela ausência
de entes queridos que não podem mais voltar…
Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário
que a gente se impõe, às vezes,
para realinhar os pensamentos…
Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário
que o destino nos impõe compulsoriamente…
Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…
Isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto…
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos
e procuramos em vão pela nossa alma”.

(autor desconhecido)
Imagem: http://2.bp.blogspot.com/

terça-feira, 23 de dezembro de 2008


TEMPO COMEDIDO

Não gosto de relógio,
Já me causou tormentas...
Abrevia o tempo que tenho,
E diminui todas as horas
Que podes comigo ficar!
Horas, minutos e segundos que passam...
Sempre têm pressa de passar!

Não gosto das rosas,
Das vermelhas, revelam minha paixão.
As amarelas, ciúmes dentro do meu coração...
Quando lançadas pra te dar,
Murcham sozinhas na minha solidão!
Rosas vermelhas, amarela... Pra quê te dar?
Se já dei tudo em confissão!

Não gosto de gostar,
Sempre dói no meu peito...
Sem remédio que dê efeito pra curar,
Fico sentindo saudades suas,
Quando foge, do meu óbvio jeito de sonhar!
Não vês que não quero te perder,
Não quero horas, nem flores pra te dar.

Não gosto...
... Não gosto de relógio!
... Não gosto das rosas!
... Não gosto de gostar!
Gosto só de você,
De você, quero gostar!

(Guerra Sarapião 23dez/2008)

domingo, 21 de dezembro de 2008




Destarte em despedida

Da última missiva que te mandei
Roguei tua resposta e não tive por então,
Após tempo contado, uma idade de Cristo
Recebi tua fidalga pessoa em visitação!

Num terno longo, delicado abraço,
Que pude declarar-te em termos,
Do que em difusos segredos ficou
Do amor inalterável, adormecido!

Veio ouvir e receber em verbos,
Sentir por certo meu amor ditoso
Experimentar as batidas fortes do teu coração!
Num abraço prolixo e caprichoso

Fez-se de luz, resplandeceu vidas,
No calor da nossa sublime paixão.
Tua mais nobre virtude em pessoa,
Destarte em despedida, beijos em aceitação!

Num olhar meigo em confabulação,
Na tolerância das longas datas em separação
Por antes, tu fostes sem despedidas, sem escritos...
Voltando do imprevisível sem anunciação!

Por agora, na despedida...
Foste alusiva... Um beijo na face então!
Olhares de amor franco e virtuoso
Numa próspera e possível anunciação!

Autor: Wares Negro

TEUS OLHOS

Teus olhos tão risonhos
São desejos, são delírios,
Em forma de sonhos

Teus olhos tão singelos
De todos são os menos tristes
Do mundo são os mais belos

Teus olhos dormem nos meus,
Sempre que tu sonhares
Sonharei os sonhos teus

Teus olhos são o que são
Porque refletem nos meus
O amor que há em teu coração

Autor: R.Silveira

domingo, 14 de dezembro de 2008

História de um coração



Naquele transparente e deslumbrante dia,
Na aula de anatomia
Sobre a pedra glacial, como um fardo qualquer
Desnudo, havia um corpo esbelto de mulher!
Encontraram-no além da via férrea, e ao lado
Daquele corpo moço, o crânio desformado
De onde deduzia ter sido certamente
Essa infeliz mulher, vítima de um acidente
Impossível tornou-se a edificação.
Esperaram, ninguém o reclamou! E então
Mandaram-no, depois deste trágico dia,
Como um presente régio a douta academia
....................................................................
Quando Guilherme entrou ao vê-lo disse rindo
Que corpo escultural! Que corpo esbelto e lindo
Que pernas! Como são bem feitas – Sem rodeias
Olha com volúpias aqueles rígidos seios!
Rapazes! Venham, venham ver a estátua magistral
De uma Vênus de Milo um tanto original!
E por mais singular que o fato vos pareça!
Esta tem braços sim,
Mas falta-lhe a cabeça
Que pena um corpo assim ser destruído “Vala”!
Em breve uma algazarra invadiu toda a sala...
Todos queriam ver este corpo perfeito
Sem reverencia alguma e sem respeito
Fazendo contratar nessa algazarra forte!
A alegria da vida a tristeza da morte!
- Aí vem o professor... silêncio! Nesse instante
Fisionomia, austera o mestre entrou e, adiante
Deteve a escolher instrumentos vários
Os que para cortar era mais necessários
E rodeado afinal, por toda estudantada,
O austero professor disse com voz pausada
- Vamos hoje estudar o coração... falou
E o escapelo afiado e orgulho mergulhou.
No colo de alabastros...esgarçaram-se os tecidos
E todos, um por um, os ossos são partidos
Abre-se o nivio peito, e os seios emurchassem
Nessa prolanação de lances tão brutais
Uma borda bestial, de feras canibais!
Por fim, do professor as grandes mãos estranhas,
Saudaram com volúpia o fundo das entranhas
Arrancando de lá com muita precaução
Inda rubro de sangue o pobre coração!
Nas mãos do velho sábio, ei-lo agora oscilando,
E, todos com prazer deve-se escaminhando-o!
-“Corte-o Guilherme!” Ordena. O estudante sorriu
Empenhado na dexta o agudo bisturi
Que aquele coração em breve irá cortar!
Mas tem de ser assim... É preciso estudar.
Porém! Tremem-lhe as mãos, os nervos não reagem!
Que coisa! Pois não é que lhe falta coragem?
De abrir o coração desta desconhecida,
Como si nele houvesse o palpitar de vida?
Insiste novamente! Espedaça-lo vai!
De súbito porém, o bisturi lhe cai
- “Então? Que tem? Pergunta o professor surpreso
Olha o pobre rapaz, que cheio de emoção,
Resolve não cortar aquele coração!
..................................................................................
E a tarde ao regressar, à casa pensativo,
Sem poder atinar, sequer porquê motivo
Vê-lhe por um jornal em esgares de megera
Uma horrível notícia! Aquele corpo era,
O corpo virginal de sua noiva ausente.

Por: Nelson Araújo Lima
Compilado por (Daisy Afonso)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Minha cidade...


A minha cidade é uma moça bela,
Minha cidade, não parece outra qualquer,
Uma vista solta, estrelas vistas da janela...
Minha cidade, parece uma garota singela!

Sorriso lançado no vento que espera,
De olhares flagrantes como flores a desabrochar...
Minha cidade, às vezes acho que é mesmo,
Uma menina, que observa o tempo a passar!

Pela janela, uma suave luz,
Ah! Se minha cidade pudesse contar...
Quantos amores feitos aos olhos do tempo.
Cidade moça-menina, de segredos a encantar!

Minha cidade vista, bem do alto
À noite, parece que dorme de encantos...
Feita de poemas e sonhos que enfeitam as vidas
São tantas as saudades... Ah!minha cidade!

As luzes, pintadas de cores incandescentes,
De todas as cores, como se fosse pingo de ouro.
Cidade minha, de encantos florescentes
Que observa sob os olhos, o tempo vindouro!

Cidade minha, parece ser sua.
Posso notar que às vezes é nossa...
Minha cidade, parece uma moça quase nua!
Sem pressa nos versos da nossa história!

Cantares... Moça menina olhando,
Pelas suas extremas e abertas janelas...
Poderás me contar menina o teu segredo
Mas quando se vê... Já foram as horas!

Surpreendo-me ao ver no espelho,
O guizo do tempo, cidade de outrora...
Uma vista solta, olhares pelas janelas...
No vago do tempo fico sonhando, menina.

Minha cidade, moça majestosa fez-se agora,
De todos os encantos, vista pelas nossas janelas,
Assim vou, pelas ruas da minha cidade...
Inventando nomes pra todas elas!


(wolney tavares)

domingo, 23 de novembro de 2008

A DANÇA



Na escuridão observo-te dançar
Movimentos que me chegam anestesiados
Estou hipnotizada, imersa.
É como se o mundo tivesse parado
Estando sós, eu e você.

Juntos
Dançando
Sentindo um frio em minh’alma
Aproximei-me
Ah! Estranho o que tens de tão enigmático?
Suas mãos descobrem meu corpo, embaladas pela música.
Como a desejar...

Ah! Estranho me leve para seu mundo...
Faça o que tiveres vontade
Esta noite te pertenço...
Esta noite...
Sua respiração em meu ouvido
Seus braços me enlaçam a teu corpo
O sinto num vil arrepio

Estará certo?
Ah! Estranho me faça esquecer as indagações...
Sugere pensamentos sórdidos a minha mente
O que se passa?
Sei o que queres...
Assumo também querer...
Fascínio instantâneo, pecaminoso.
Sinto-me uma fêmea no cio

Quero me entregar com apenas uma dança...
Ah! Estranho me peça o que quiser...
Serei tua esta noite...
Esta noite...
O momento se intensifica
Já não posso dizer-te não
Não quero dizer-te não

Despeço-me da moral
Não faço nenhum mal
Ah! Estranho me tire esta vergonha...
Força-me
Faz-me
Faz-me tua esta noite...
Esta noite...

(Autora:Senhora Morrison)
Foto das bailarinas: A. Brito

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Diferentes amores



Amor... de Maria
Amor... de Manoel
Amor de Tereza Sofia
Feito de José Maria
Amor desenhado no papel

Amor alucinado...
Tão cego que não se viu!
Amor desnudo por um fio...
De todas as formas de viver
Amor escrito, numa folha de jornal.

Amor meu...
Da Ana Maria
Amor diferente na hora “H”
Escrito nas estrelas do céu e do mar,
No firmamento, em qualquer lugar!

No papel de jornal
Amor que não se vê igual
Como água que escoa sem voltar ,
Amor que não se pode conter.
Como pássaro que esvaia do ninho a voar!

Amor que não precisa explicar
Se já nasceu assim, de um simples olhar.
Amor feito, conjugado no tempo amar.
Amor que no papel escrito deixei
E quando um dia, eu fenecer...

Desse amor, você há de lembrar!

(Guerra Sarapião)

sábado, 15 de novembro de 2008

Se ainda há tempo...


Ainda que o ontem fosse agora.
Ainda que o dia não tivesse,
Para os teus olhos amanhecido!

Ainda que não tivesses,
Na sua vida, a minha vida escolhida,
Ainda que fosse por vezes em sonhos!

Dos meus sonhos, a escolhida.
Linda mulher, mais amada e desejada
Entre todos os seres da terra... eu pudesse ser !

O mais privilegiado dos homens,
Para ser dono do amor... dos seus amores,
O mais completo dos sonhos... acontecidos!

Ainda que me faltasse tudo...
Faria por completar teus desejosos devaneios,
Teria por vezes, quantas fossem... nascido!

Ah! se tu soubesses... não teria me perdido.
Mas, tu sabes bem mais do que eu mesmo sei agora,
Brindaremos com vinhos e sonhos... as nossas vidas,
A nossa história !


(Wares Neggro)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

MINHA GENTE


Sou filho da boa terra de Goiás
De um homem justo que fez brotar,
Do cultivado ao suor, bem lavrou o chão.
Semeou na terra, grãos de alimentos, em plantação!

Sou filho da minha altaneira Goiatuba,
Da sutileza de uma mulher que fez praticar,
Do seu caprichoso cuidado no lar
A mais digna e sagrada profissão!

Fui pra eles, altivo filho dessa gente.
De um homem, com punhos fortes de lavrador.
Que de uma simples mulher do campo,
Plantou cuidados, esmero e abnegação!

Venho de muitas outras famílias...
Dos Fernandes, das boas minas dos gerais.
Fizeram-me, Tavares da Terra Lusitana.
Cunha de Oliveira, outras da mesma nação.

Tavares dos “Fonsecas” de Thalauares,
Vindos também da nobreza, de Ordens Portuguesas.
Que pelos séculos passados, foi reino de Dom Manoel.
“Della mia vecchia Italia”, sou Alves Guerra Sarapião!

Que plantaram esperanças nessa terra de Goyás.
Nesse solo fecundo, volvido em povoação.
Sou filho simples, dessa gente aventurosa.
Sou Sousa, dos mais antigos por tradição!

Sou filho, da tantas outras vindas...
Que do Brasil ajudaram a fazer uma nova nação!
Sou por honra, dos nossos índios “guayáses”
Da minha “Gwa yá tiba”, nossa terra querida,
Sul de Goiás, nascido e criado no meu sertão!

Poema:Wolney Tavares
Ilustração: Óleo sobre tela
Margarete Vasconcelos

TEU FILHO AMADO



Fez-se de encanto
Teu mais novo amor
Formou-se de pranto
Nos olhos teus

Ainda que palmeasse
Caminhos estranhos
Sorria e esperava com carinho
O filho que confiava conceber

Quem tirasse da tua sorte
O direito de ser amável mãe constante
De dar, como progenitora os cuidados teus.

Como se arrancou dos teus seios
Leite puro materno, pra dar carinhos alheios
Tão desejado filho que se fez

Na fragilidade de quem não pôde
Ao teu próprio filho, teu choro afagar
Pois te foi tirado, sem nenhuma clemência!

Antes mesmo, que se tivesse teu direito julgado,
Em teu útero sagrado, teu fruto gerado
Nem respeitaram em ti, tua capacidade de amar

Ao espírito enviado, a ninguém é de direito
De tirar, se veio pra ensinar muitos caminhos
O que há na vida, caminhos a trilhar.

Dias de receber glórias passadas
Filho amado, gerado na mais pura inocência
Só Deus sabe, bem mais que nós.

Da tua bondade, nem perdeu, nem sofreu,
Cumpriu apenas, a tua missão.
Do amor materno, a sobra dos outros teus.

Ainda hoje, no teu coração piedoso,
Mesmo que, como estrela cadente,
Farto de amor, podes perceber.

Seguiu na mesma rota,
Todos os dias, anos seguidos,
Voltando pra te amar!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Coisas que a vida ensina depois dos 40


Amor não se implora,
não se pede não se espera...
Amor se vive ou não.

Ciúmes é um sentimento inútil.
Não torna ninguém fiel a você.
Animais são anjos disfarçados,
mandados à terra por Deus para
mostrar ao homem o que é fidelidade.

Crianças aprendem com aquilo que você faz,
não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você,
vão falar de você para os outros.

Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.
Água é um santo remédio.
Deus inventou o choro para o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra
que depende do bom senso.

Não existe comida ruim,
existe comida mal temperada.
A criatividade caminha junto com a falta de grana.
Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.

Amigos de verdade nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma contra o ódio.
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
Há poesia em toda a criação divina.
Deus é o maior poeta de todos os tempos.

A música é a sobremesa da vida.
Acreditar, não faz de ninguém um tolo.
Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.

De tudo, o que fica é o seu nome e
as lembranças a cerca de suas ações.
Obrigada, desculpa, por favor,
são palavras mágicas, chaves que
abrem portas para uma vida melhor

O amor... Ah, o amor...
O amor quebra barreiras, une facções,
destrói preconceitos,
cura doenças...

Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
E vive a vida mais alegremente...

(Artur da Távola)

NÃO DEIXE O AMOR PASSAR!



Quando encontrar alguém e esse alguém
fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você
está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso,
se o beijo for apaixonante,
e os olhos se encherem d’água neste momento,
perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos
chegar a apertar o coração, agradeça:
Deus te mandou um presente: O Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais
- não deixe que as loucuras do dia-a-dia
o deixem cego para a melhor coisa da vida:
O AMOR.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

VERSOS ÍNTIMOS



Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

(Augusto dos Anjos)

A Louca



Quando ela passa: - a veste desgrenhada,
O cabelo revolto em desalinho,
No seu olhar feroz eu adivinho
O mistério da dor que a traz penada.

Moça, tão moça e já desventurada;
Da desdita ferida pelo espinho,
Vai morta em vida assim pelo caminho,
No sudário da mágoa sepultada.

Eu sei a sua história. - Em seu passado
Houve um drama d'amor misterioso
- O segredo d'um peito torturado -

E hoje, para guardar a mágoa oculta,
Canta, soluça - o coração saudoso,
Chora, gargalha, a desgraçada estulta.

(Augusto dos Anjos)

domingo, 9 de novembro de 2008

Saber Viver


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar

(Cora Coralina)

Último instante


E quando eu for daqui...
Quero antes, esgotar o último gole da taça de vinho.
Saborear com prazer a ceia mais servida
Dar meu último abraço, no melhor dos amigos.
Escrever a melhor frase da vida!

Dar-te-ei meu amor,
O mais completo dos meus beijos
Num último olhar da ternura e delírio.
No entrelaçar das nossas mãos, te amarei,
Num derradeiro momento, quase sem fim!

Buscarei em ti...
Meu último suspiro, pra te entregar por inteiro
Minh’alma te confiarei, pra zelar
O corpo, pra mais nada servirá, levarei,
Do meu rosto, uma foto talvez restará.

Mas enquanto isso...
Enquanto eu não for de vez pra ficar
Meus vinhos suaves e doces, vou tomar.
Nos meus abraços... quero te encontrar
As melhores frases, vou multiplicar!

Beijos e ternura entrelaçados
Sem derradeiros e, sem fim
Meus suspiros serão tamanhos
Minh’alma envaidecida de poder amar
E, todo meu corpo assim terás!

Eu vou te venerar, querer te entregar
O que há de melhor dentro de mim.
Atenuar amor constante, para sempre comigo,
O último olhar de carinho,
Esse, haverei de levar...

E se eu...
Não esgotar o último gole da mais doce bebida
Não der meu último abraço, no melhor dos amigos,
Não saborear com prazer a última ceia,
Não escrever a melhor frase da minha vida!
Ou não der o mais completo dos meus beijos
Mesmo assim, tenha certeza... vivi pra valer !

(wolney tavares)

As sem-razões do amor



Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

Primavera


E quando setembro vier...!
Amar-te-ei na primavera.
Tempo de flores... claras, rubras e puras.
De grandes amores, setembro no teu sorriso.
Amar-te-ei ainda mais!

Quando setembro vier, guardado em ti estarei.
Será primavera tua, primavera nua de tanto querer.
Mais bonita que uma flor a desabrochar.
Cada flor pequenina, minha menina.
A tua mocidade, o teu contemplar.
Numa assunção de flores, pétalas e cores.

Quando setembro vier... !
Depois do inverno, vidas concebidas,
Sussurros ocultos, ao surgir de todas as manhãs.
Renascidas, que me encantam e mal sei te dizer,
Sem exagero, o quanto mereço... te ter.

Setembro... minha menina, princípio de cada flor
Bailarina, ninfa do meu encantar
Claras, rubras e puras, tudo que eu preciso,
Pois a primavera vai chegar,
Quando setembro vier!

Amar-te-ei, amar-te-á.
Amaremos...
Assim que setembro vier...!

Autor:Wolney Tavares
Ilustração: Rosy Cardoso
óleo sobre tela (Cerrado)

Ao Amor Antigo



O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

Sem título



Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.

(Mário Quintana)

Quem Sabe um Dia


Quem sabe um dia
Quem sabe um seremos
Quem sabe um viveremos
Quem sabe um morreremos!

Quem é que
Quem é macho
Quem é fêmea
Quem é humano, apenas!

Sabe amar
Sabe de mim e de si
Sabe de nós
Sabe ser um!

Um dia
Um mês
Um ano
Um(a) vida!

Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois

Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois

Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois.

(Mário Quintana)

Nossos segredos



Busquei no teu olhar
O amor que tinhas pra me dar
Busquei no teu corpo inteiro
As marcas da minha paixão.

Falei-te dos meus segredos,
De tanto amor, te fiz sorrir e chorar.
A minha vida, meu medo te contei
E depois, tornei a te amar.

Amor inerte, que agora se espanta
Na minha alma que conta
Por quantas vezes for,
Haverei de te amar!

Vi nos teus olhos, teu corpo
Deslizar-se sob o meu,
Desejos por nós, jamais realizados.
Agora, te fiz senhora, minha mulher.

Se foi noite, se foi dia.
A hora, o tempo não me faz lembrar.
Nem te vi adormecer!
Quando terminamos de amar!

Na volúpia de um sono profundo
Desenham-se, os novos sonhares!
Quando acordei pra ti querer
Todo amor, que tinhas pra me dar.
Fiz-te mais uma vez, minha mulher!

(WOLNEY TAVARES)

Espigas no chão



Plantou-se extraído das espigas
Pra colher sementes de alimentar
Plantou-se no fecundo tempo...
Tiradas da mais robusta plantação!

Semeou, contados e farturentos punhadinhos.
Suavemente deitados, caídos nas covas do chão.
Alinhados em retidão, tão pulcras,
As alcovas benignas, em semeação!

Em meados da primavera, tempo fértil,
Aconteceu por todos os cantos a plantação
Nasceram viçosas e verdinhas plantinhas
Da terra copiosa, preparada na sua estação!

O tempo foi de ver, encarregou-se de crescer,
Por mais tenras que fossem, da brotação.
Encheu-se de cachos, de espigas, vagens...
Produziu pra valer, colheu-se de montão!

Da abastança, colheita por toda a roça.
Guardados nas tulhas abarrotadas de primor.
Levado a gosto, ao tempero preferido de comer,
Virou alegria, deu-se como boa alimentação.

Jamais se viu terra mais caprichosa e fértil,
Nunca se deram outras derrubadas tamanhas
Nem outra plantação, que semeasse e colhesse,
Toda gente, bondosamente, comeu abençoada nutrição!

Agradeceu dessa água, chão de plantar alimentos.
Oh! Senhor, “Altíssimo sobre toda a terra” que fez.
Produziu pra valer, colheu-se com fartura de montão.
Da terra tombada, preparada em cada estação!

É minha gente bondosa da roça plantando,
Colhendo abundância em tempo de louvores.
Como os poetas dos “Salmos” agradecendo,
O roceiro, fazendo o roçado, produzindo alimentação!

(WOLNEY TAVARES)

Memória


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

(Carlos Drummond de Andrade)